BASES COGNITIVAS NA CONSTRUÇÃO DE NOSSAS REALIDADES
 

Todo conhecimento é obtido por meio da experiência sensorial que chegam ao sistema nervoso central na forma de estímulos sensoriais provenientes dos nossos cinco órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gustação). Quanto maior o número de experiências, mais acentuado será o desenvolvimento de uma pessoa, tanto nos aspectos motor, como no intelectual, emocional e comportamental.

 

O córtex cerebral possui um mapa do corpo para cada submodalidade de sensação compreendendo as áreas sensoriais primárias. As funções mentais complexas requerem a integração da informação de várias áreas corticais interligadas entre si. São as áreas de associação do córtex cerebral que envolve a personalidade, integração e interpretações das sensações, processamento da memória, produção de emoções, planejamento de ações, compreensão do esquema corporal e da linguagem.

 

Até pouco tempo,  aceitava-se o pressuposto básico que os mapas corticais seriam fixos e praticamente imutável após a fase de total desenvolvimento do cérebro. Atualmente, sabe-se que a representação interna do espaço pessoal pode ser modificada pela experiência, e que os mapas corticais podem mudar, mesmo na fase adulta, com o uso das vias aferentes embasados nos princípios da neuroplasticidade. As conexões neurais estão continuamente sendo estabelecidas e desfeitas, todas modeladas por nossas vivências e nossos estados de saúde e doença.

Por meio da neuroplasticidade ocorrem novas conexões neurais redistribuindo a rede de transmissão de informações sensoriais e motoras ligadas à interpretação e planejamento motor, estabelecendo-se assim, uma nova rota de transmissão de informações sensoriais que podem influenciar no resultado final de nossa capacidade cognitiva.

 

A identificação de um objeto ou situação em particular ocorre segundo duas etapas básicas: a) sensação:  consciência das características sensoriais de um objeto (forma, dureza, cor, tamanho); b) interpretação: as características sensoriais são comparadas com conceitos do objeto existentes na memória, permitindo sua identificação.

 

De um modo geral, todas as  situações são percebidas de acordo com experiências anteriores com as quais elas se associam, com nossas expectativas, necessidades, além de fatores circunstanciais, inclusive por preconceitos e estereótipos fixados em nossa memória. Assim, nossa percepção pode não refletir o mundo exterior como ele é na realidade, e sim, como uma criação transformada e adaptada segundo nossos valores e padrões individuais resultantes de vivências anteriores, que sofreram modificações desde a captação da informação pelos nossos órgãos dos sentidos até sucessivas alterações de seu conteúdo original no decorrer de seu processamento pelas áreas de associação do nosso encéfalo.

 

Limites de Percepção dos Órgãos dos Sentidos

A maioria de nossas impressões sobre o mundo e nossas memórias dele é baseada na visão. A visão moderna da percepção visual não é mais atomística, mas sim holística, sendo um processo ativo e criativo que envolve mais do que a informação bidimensional fornecida pela retina. Captamos informações visuais de objetos que refletem a luz e que possuem uma determinada freqüência e comprimento de onda dentro do espectro de ondas eletromagnéticas. Por exemplo, as cores são percebidas pelo estímulo de células especializadas (fotossensíveis) que respondem a uma determinada freqüência do espectro de ondas eletromagnéticas, particularmente àquelas que apresentam comprimento de ondas de 390 nm a 780 nm, correspondendo as cores violeta e vermelho respectivamente, intervalo esse que compreende a faixa da luz visível. Nosso sistema visual não consegue captar todas as informações existentes ao nosso redor; Por exemplo, a faixa com comprimentos de ondas acima de 800nm (infra-vermelho) não são percebidas conforme podemos verificar em nosso dia-a-dia ao usar controle remoto de televisão ou para abrir e fechar a garagem: vemos o efeito, mas não vemos a projeção da luz nessa faixa do espectro. Assim, como podemos criar uma realidade fidedigna ao mundo que nos cerca, se nem todas as informações existentes chegam ao nosso cérebro? A percepção visual é um processo criativo em que nosso cérebro faz certas suposições sobre o que é para ser visto no mundo, expectativas que parecem derivar em parte da experiência e em parte da rede neural instalada para a visão.

 

O sistema auditivo também apresenta limitações como o visual. As células auditivas são estimuladas apenas pelas ondas sonoras com freqüências entre 20 a 20.000 Hz. As ondas sonoras abaixo e acima dessa faixa não são captadas pelo nosso sistema auditivo, apesar de existirem e chegarem até nós em larga escala.

 

As informações captadas pelos nossos órgãos dos sentidos passam ainda por diversos filtros (sensorial, emocional, de reconhecimento pela ativação da memória até sua análise com conceitos já existentes segundo a experiência de cada um) para a criação final de uma realidade subjetiva (ou mental).

 

Esses processos de filtragem são concordantes com os ensinamentos do Dr. Joe Dispenza, neurofisiologista e autor do livro Theater of the mind: A Preview of a working brain, quando afirma: “Nosso cérebro recebe 400 bilhões de bits de informação por segundo. Entretanto, nossa consciência só percebe 2.000 bits/s desse total”. E é exatamente essa “pequena” quantidade percebida que criará nossa realidade.

 

A informação recebida e interpretada, ao chegar em nossa consciência, irá acionar respostas motoras, comportamentos, emoções condizentes com essa realidade criada e aceita pelo encéfalo. Um indivíduo toma decisões e atitudes baseadas no conteúdo dessa suposta realidade que, de acordo com a via neural utilizada, poderá ser destrutiva ou produtiva, acarretando mais e mais situações desagradáveis ou agradáveis. Todas essas etapas costumam seguir um padrão de interpretação segundo as conexões neurais existentes (rede neuronal).

 

Sem mudanças dessas conexões neurais, ficaremos condicionados a sempre interpretar as informações segundo o padrão atual, recriando sempre as mesmas realidades (boas ou ruins). 

Mentalmente podemos influenciar a ação dos filtros da consciência e favorecer o processamento das informações com outros padrões de pensamentos, geralmente de natureza mais positiva associados à nossa vontade e expectativa  = princípio básico da Reprogramação Mental.

Se ficarmos condicionados a padrões negativos de pensamentos e condutas, uma rede de conexões neurais será formada e sempre utilizada na maioria das informações sensoriais que chegam até nós, mantendo a rotina da “mesmice” e dos infortúnios.

 

Se mudarmos em nossa consciência o padrão de pensamento para os de natureza mais positiva, será criada nova conexão neural, que após o processamento das informações nos conduzirão a decisões e condutas mais produtivas.

 

Assim, você cria uma realidade dentro de uma perspectiva que só você está experimentando (agradável ou não); E as realidades são construídas  diferentemente de uma pessoa para a outra. Boa ou ruim?  É apenas você que pode decidir.

 

Pensar sem Acreditar é o mesmo que Pronunciar Palavras duvidando delas;

Pensar sem Agir é o mesmo que Falar e Não Fazer Nada;

Nesses casos, as imagens e vibrações geradas ficam vagando inutilmente  sem apresentar  resultados práticos em nossa mente e no Universo.