| Nair Kaminski
No caminho do ser humano, desde a condição
fetal, ele adquire formas que mudam continuamente da
concepção ao nascimento, passando pela
formação da célula até a
formação mamífera e humana.
Após o nascimento esse processo se reproduz
na relação com o meio ambiente. Durante
o primeiro ano a criança aprende a sair gradativamente
de uma posição horizontal, posição
esta de dependência, para uma posição
vertical. E, à medida que cresce assume o seu
próprio caminho ao invés de ser conduzida.
A árvore enraíza-se na terra e pode
crescer forte e segura ou frágil e aniquilada.
Isto vai depender do solo que a acolhe e do clima da
região. O mesmo acontece ao ser que se enraíza
num solo pobre e duro ou num solo fértil e nutritivo.
Somos plantados no mundo – de um lado as raízes
que nos fixam e do outro galhos e folhas – relações
sociais que nos ligam a esse mesmo mundo.
Para nascer precisamos corporificar. O espírito
precisa de um corpo.
E o corpo expressa, em sua forma, a elegância
ou deselegância, a expressividade ou não,
a contenção ou soltura.
Também podemos ser desenraizados diante de
uma tempestade emocional, da mesma forma que os vendavais
arrancam as árvores.
Estruturalmente vida, corpo e natureza se fundem.
Stanley Keleman nos ensina que nos formamos e reformamos
o tempo todo. E isto não ocorre somente no corpo,
mas também na mente e na psique. Ou seja, esse
processo formativo acontece em cada atitude, em cada
decisão, em cada pensamento. E quando não
gostamos do resultado podemos estabelecer uma nova formação,
ou uma reforma.
Nesse processo formativo a atitude envolve a mente
e os aspectos celulares, musculares e emocionais.
Crenças extremamente rígidas produzem
atitudes rígidas e corpo rígido. É
um corpo que não pode se sentir livre é
um corpo que não se move livremente. São
sentimentos contidos, aprisionados, acorrentados como
o corpo.
Se a capacidade de auto-expressão do indivíduo
estiver severamente limitada, possivelmente ele deve
ter desenvolvido atitudes defensivas ou atitudes que
restringiram a expansão da sua excitação.
Isto o faz se comportar como um ser conservador, desconfiado
e precavido, se apoiando em condutas conhecidas e seguras.
Quando ele passa a confiar no mundo que o cerca, quando
ele consegue desmanchar os componentes neuromusculares
e emocionais que o limitaram, ele desenvolve atitudes
que expandem os seus limites. E aí ele corre
para esse mundo, com os braços erguidos, o peito
e o coração abertos, acreditando neste
acolhimento, que na realidade foi reconstruído
dentro dele.
Não podemos nos esquecer desta grande benção
que nos foi dada: “somos a única raça
que tem o poder de estudar a si mesma”.
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